Líderes de opostos ideológicos encontram-se no Salão Oval em meio a relação ainda instável entre EUA e Brasil
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebe nesta quinta-feira (8) seu homólogo brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, na Casa Branca para uma reunião bilateral que coloca em pauta dois temas centrais: tarifas comerciais e cooperação no combate ao crime organizado.
O encontro no Salão Oval ocorre após uma crise nas relações bilaterais, quando o governo Trump impôs uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, vinculando a medida ao processo criminal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro por envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado.
O ministro da Fazenda do Brasil, Dario Durigan, afirmou na véspera que "o objetivo é proteger a população brasileira, priorizar o país e manter um diálogo construtivo", e que "as expectativas para a viagem são muito positivas".
Lula, de 80 anos, e Trump, de 79, são opostos ideológicos com um relacionamento conturbado. O encontro desta quinta é apenas o segundo encontro oficial entre os dois desde as conversas realizadas na Malásia no ano passado.
As tarifas americanas foram parcialmente reduzidas após uma série de reuniões e ligações entre os dois líderes — momento em que Trump chegou a elogiar a "excelente química" entre ambos.
Lula chega politicamente enfraquecido
A viagem aos EUA ocorre em um cenário doméstico difícil para Lula, que na semana passada sofreu dois reveses no Congresso: a Câmara derrubou seu veto a uma lei que buscava reduzir o tempo de prisão de Bolsonaro, enquanto o Senado rejeitou sua indicação para o Supremo Tribunal Federal — a primeira vez em mais de 100 anos que isso ocorre.
O presidente brasileiro busca um quarto mandato não consecutivo nas eleições de outubro e está tecnicamente empatado nas pesquisas com o senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente.